O LIVRO DO CEMITÉRIO - NEIL GAIMAN // @editorarocco

18 de jul de 2019


O Livro do Cemitério (The Graveyard Book) - Neil Gaiman
Editora Rocco || Tradução: Ryta Vinagre || Skoob
336 páginas || publicado em 2010


Depois que sua família é assassinada por um homem chamado Jack, um bebê escapa ileso e acaba indo parar no cemitério que fica no topo da colina. Ali, ele é acolhido pelos mortos que lhe dão no nome de Ninguém Owens e adquire a liberdade do cemitério, que lhe permite conviver com os mortos e "invisível" aos olhos dos vivos - principalmente daqueles que lhe querem o mal. Viver entre os mortos é algo comum para Nin, a grande dificuldade é lidar com os vivos e as mudanças que vem enquanto se cresce.

"Você recebeu a Liberdade do Cemitério, afinal. (...) Então o cemitério está cuidando de você. Enquanto estiver aqui, pode enxergar no escuro. Pode andar por alguns caminhos que os vivos não deveriam percorrer. Os olhos dos vivos não cairão sobre você." (p. 46)

Neil Gaiman é um dos meu autores favoritos e eu não canso de exaltar isso. Acho surpreendente sua capacidade de criar histórias mirabolantes, mas que acabam fazendo sentido para nós e que ainda nos faz refletir sobre diversos assuntos. Estava protelando para ler esse livro e fiquei muito feliz em ter realizado essa leitura e acompanhar a vida do nosso pequeno Nin.

Nin Owens é um personagem peculiar que acompanhamos desde bebê. Por ter crescido em um cemitério e ter sido criado pelos mortos e tendo um guardião como Silas, faz com que esse menino tenha uma personalidade diferente e que ao mesmo tempo chama a nossa atenção. É muito bacana acompanhar suas aventuras, descobrindo coisas que nenhuma criança comum conheceria e entendendo sobre o mundo de uma forma completamente diferente. Uma coisa bem bacana é como Nin lida com a morte - normalmente um assunto pouco explorado em livros infantis. Para ele, a morte é apenas um acontecimento e a vida, essa sim, é a parte mais complicada de se lidar. 


Todos os personagens do cemitério são muito legais, até porque eles morreram em épocas diferentes e por isso existe uma diversidade muito legal de histórias de vida e cultura. Mas, quem ganhou o meu coração foi Silas, o guardião de Nin. Ele não está completamente morto e nem completamente vivo, mas a forma com que lida com o garoto e as coisas que lhe ensina são muito mais significativas e interessantes. Silas tem um lugar guardado no meu coração.

O livro se divide em mostrar o crescimento do Nin junto com os mortos, a sua curiosidade em saber mais sobre o mundo dos vivos, as suas histórias e o que há para descobrir e o mistério em torno do assassino de sua família e que ainda está atrás dele. Toda a construção desse mistério, entrelaçado com o desenvolvimento do protagonista deixa a história muito mais rica.

Apesar de eu ter amado a escrita - e até estar familiarizada com ela - senti que alguns capítulos pareciam mini histórias que nem sempre possuíam relação com o que estava ou que iria acontecer. Toda a jornada de Nin ajuda a moldar sua percepção de mundo e a si mesmo, mas faltou um elo maior entre certos acontecimentos com o todo. Não afetou a leitura, mas poderia ter sido melhor trabalhado.

"Você é sempre você, isso não muda, mas estamos sempre mudando e não há nada que se possa fazer a respeito disso." (p. 318)

Os últimos capítulos são muito mais frenéticos e o final foi algo que eu curti bastante. Mostra muito o amadurecimento do personagem e a sua inteligência para lidar com certos obstáculos. Confesso que chorei bastante nos últimos capítulos. A história teve um final digno e só me deixou mais curiosa para saber mais. 

Apesar das ressalvas, eu amei o livro e entrou para minha lista de favoritos. Acompanhar a jornada de vida de Nin, as suas dúvidas e descobertas é muito bacana. A aura de fantasia que permeia a história dá um brilho maior e a escrita envolvente do autor junto com as ilustrações maravilhosas do Dave McKean faz com que essa história seja um ótimo início para quem quer conhecer os livros do autor e de certa forma, muito bacana para se ler com os pequenos. Recomendadíssimo!

Um beijo do coração, até!

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