MENINA BOA MENINA MÁ - ALI LAND // @EDITORARECORD

30 de jul de 2019


Menina Boa Menina Má (Good Me Bad Me) - Ali Land
Editora Record || Tradutor: Claudia Costa Guimarães || Skoob
376 páginas || publicado em 2018


Annie é um adolescente que denunciou sua mãe para a polícia, pois ela é uma assassina em série de crianças. A partir desse momento, ela vai para um lar adotivo temporário e passa a se chamar Milly. Nessa nova vida, ela vai tentar se encaixar numa nova rotina, recomeçar e se preparar para o julgamento da mãe, onde terá que depor. Além de todas essas questões, ela deverá trabalhar a sua mente e entender que ela não é má igual a mãe, ou será que é?

"Os corações das crianças pequenas são órgãos delicados. Um começo cruel nesse mundo pode moldá-los de maneiras estranhas." - Carson McCullers, 1917-1967 (pág. 07)

Assim que esse livro foi lançado, eu fiquei muito curiosa para lê-lo. Adoro thrillers psicológicos e tentar entender a mente daqueles que estão por trás das atrocidades. E estar na cabeça de Milly não é fácil. A primeira coisa que sentimos é pena, por ter sido criada pela mãe que teve, e por, apesar de saber que a mãe não é uma boa pessoa, ainda assim sentir saudades dela. São sentimentos controversos, que vão mexendo muito com a nossa protagonista e ajudando a gente entender um pouco sobre como ela se sente com tudo o que passou.

O lar para qual a Milly vai parece ser tão desestabilizado quanto ela. Mike, Saskia e Phoebe são uma família que já possuem certos problemas de interação, entre outras coisas, e talvez essa readaptação seja ainda mais difícil por conta disso. Phoebe é uma personagem que eu odiei logo de cara e essa sensação se manteve até o final. Já do Mike eu senti pena, porque realmente deu para perceber que ele sempre quis fazer o melhor para todas ali. Saskia não teve tanto destaque assim e foi irrelevante para mim.

O foco mesmo é a preparação para o julgamento e vamos relembrando diversos momentos de Milly morando com a mãe, entendendo como era a dinâmica e como a mãe dela conseguir sequestrar essas crianças e como ela as matava. Essas cenas são bem fortes e me deixaram com um gosto amargo na boca. O que ela fazia com as crianças e com a própria filha era perturbador, o que faz a gente entender do porque a Milly ser tão confusa e ter medo de ser assim também.


A leitura flui bem fácil, pois a escrita da autora é bem convidativa. A gente fica bem agoniado com as cenas do passado e tenta entender quais serão os próximos passos da protagonista. Milly é uma personagem confusa e perturbada e a todo momento nós sentimos que ela tenta sempre ser uma pessoa boa, apesar do mal estar ali a espreita.

Eu gostei bastante da leitura, mas tive muitas dificuldades em avançar na história. Cada cena mais forte, ou quando eu imaginava que algo ruim iria acontecer, minha ansiedade atacava e eu simplesmente não conseguia avançar no livro, o que dificultou bastante e fez com que eu ficasse meses lendo ele. Claro que isso foi algo pessoal e não tira todo o brilho da história, mas esse livro realmente mexeu comigo.

Espero que vocês deem uma chance e se deleitem com esse thriller que é muito bem escrito e que vai mexer com você. Milly é uma narradora na qual não podemos confiar, com uma mente confusa e que vai trazer algumas revelações bem chocantes. Vale muito a pena a leitura.

"Li num livro uma vez que gente violenta tem a cabeça quente, enquanto psicopatas são frios de coração. Quente e frio. Cabeça e coração. Mas e se a gente sai de uma pessoa que é as duas coisas? O que acontece?" - pág. 43

Um beijo do coração, até!

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