A PEQUENA SEREIA E O REINO DAS ILUSÕES - LOUISE O'NEILL // @DarkSideBooks

14 de jun. de 2019


A Pequena Sereia e o Reino das Ilusões (The Surface Breaks) - Louise O'Neill
Editora DarkSide Books || Tradução: Fernanda Lizardo || Skoob
224 páginas || publicado em 2019



O Rei dos Mares é um governante frio, autoritário e machista que acredita que as mulheres devem ser apenas bonitas e servirem aos homens e cuida de que suas filhas sejam exatamente assim. Gaia é a filha mais nova e considerada a sereia mais linda de todo o mar, mas ela não se sente feliz onde mora. Prestes a completar 15 anos, ela não vê a hora de poder conhecer a superfície e descobrir o que tanto encantou a sua mãe, a ponto de levá-la à morte. Um naufrágio é o ponto de partida para que Gaia tome uma atitude que mudará a sua vida e de sua família. Mas será que o sacrifício valerá a pena?

"Eu já disse, querer nunca trouxe sorte a ninguém desta família (...) Uma mulher que quer mais do que pode ter só encontra dor e perda, e criancinhas chorando por alguém que nunca mais vai voltar." (p. 76)

A primeira coisa que me chamou atenção com certeza é essa capa - muito mais bonita pessoalmente. Outra é o fato de ser a releitura de um conto de fadas, e de uma das minhas princesas favoritas. É uma história que dividiu muito a opinião dos leitores, o que me deixou com várias expectativas. Acho que o que mais pesou nessa história é ela ser abordada como uma obra feminista. Creio que as pessoas esperavam por algo mais concreto, objetivo e não é essa a proposta da história. Participar de uma leitura coletiva fez os meus olhos abrir e enxergar além do que eu estava esperando.

Gaia vive sendo podada por sua família, porque seu pai não gosta de mulheres curiosas e espertas. Ele só foca na beleza e é isso que ela precisa ser. Linda, apenas. Mas isso não é o suficiente pra ela, ela desejar ser mais, ser ouvida e de certa forma mudar como ela e as outras mulheres são tratadas. Sua mãe acabou morrendo por querer mais do que a vida tinha lhe dado e isso pesa muito na vida da pequena sereia. Até que ela finalmente vai conhecer na superfície e lá ela encontra um barco e se encanta por um rapaz. Quando o naufrágio acontece, ela não pensa duas vezes em salvá-lo e decide abrir mão do seu bem mais precioso para viver no mundo dos humanos. Ela tem o objetivo de fazer Oliver se apaixonar por ela e de descobrir o que realmente aconteceu com a sua mãe.

Eu me senti incomodada em diversos momentos da história. Gaia é uma criança imatura, e vai aprender na marra que a vida não é perfeita. Acho que esse é um dos pontos mais legais da história: Gaia cresceu em uma realidade e tudo o que sabia não foi o suficiente para os baques que a vida ia jogar em cima dela. Ao longos dos dias, ela vai aprendendo que a beleza não salva as mulheres, que em qualquer lugar que esteja os homens se sentem superiores e o quão difícil é a mulher mostrar o seu valor. 


O feminismo e a sororidade é mostrada nas entrelinhas. Você vai odiar as decisões da protagonista e querer entrar no livro e mostrar a ela o quão burra está sendo. Mas tudo de ruim que vai acontecer é o que vai realmente ensinar e dar a força que Gaia precisa. A história não vai ser empoderada desde o início, essa força vai crescendo gradativamente.

Apesar de incômoda, a autora descreveu muito bem como um regime autoritário mexe com as pessoas, principalmente com as mulheres. As irmãs de Gaia são bem diferentes entre si e a gente vai percebendo o que cada uma deixou para trás para seguir o padrão, aquilo que lhe eram esperados. No geral, gostei de como todos os personagens foram apresentados, e odiei praticamente todos. Foi legal entender como a sociedade se molda a partir das leis que as rege e ver esse contraste foi bem bacana.

Uma das personagens que eu mais gostei e aprendi foi Ceto, a Bruxa do Mar. Não quero dizer muito sobre ela, porque acho interessante ler sem saber muito, mas só digo que os seus ensinamentos são muito pertinentes. Também quero pontuar sobre o final. Teve coisas que me agradaram e outras que deixaram a desejar e a autora deixa um gancho pra caso escreva uma continuação. Apesar disso, creio que a história cumpriu com o seu papel e no final acabei satisfeita com o que encontrei.

"Começo a me questionar se quando chamamos uma mulher de louca não devemos também avaliar a pessoa ao seu lado e ver o que o sujeito andou fazendo para levá-la à insanidade." (p. 172) 

No geral foi uma leitura que eu gostei bastante. Gostei de ver o amadurecimento da Gaia, de descobrir o que aconteceu com a sua mãe e como suas decisões tem um impacto muito grande na sua vida e das pessoas ao seu redor. Não é uma história que vai agradar a todos, mas que com certeza vai trazer várias reflexões. 

Um beijo do coração, até!

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