OPINIÃO || OS INVERNOS DA ILHA - RODRIGO DUARTE GARCIA || @editorarecord

28 de set de 2016

Os Invernos da Ilha - Rodrigo Duarte Garcia

Páginas: 462
Ano: 2016
Editora: Record
Encontre Aqui: Skoob, Amazon, Saraiva, Submarino.

"É sempre embaraçoso - mas também um pouco triste - o estado de lembrar que o mundo não para apenas porque não fazemos mais parte dele."




Olá madies, tudo bem? A resenha de hoje é sobre um livro que eu ainda não sei o que pensar sobre. Ele me tomou bastante tempo, e por conta disso, não foi tudo o que eu esperava. Enfim, vamos saber mais sobre o livro.

Florian Links é um professor que está chegando na Ilha de Sant'Anna Afuera para passar um tempo no Mosteiro da Santa Cruz, afim de fugir de um passado doloroso e tentar dar um direcionamento ao seu futuro. Ao longo dos dias Florian vai tentando se habituar ao clima sempre fechado e melancólico que a ilha possui, a rotina rígida que ele, mesmo hóspede, tem que seguir, as pessoas e aos seus pensamentos, sempre fugindo do ideal. 


"A gravidade daquele silêncio monástico sempre me impressionou e diria que teve até mesmo um papel fundamental para que eu viesse à ilha. Atraía-me a ideia de apenas ficar calado. Mudo, sem precisar explicar nada a ninguém. Ora et Labora, isso era tudo, e bastava-me para construir os muros de que tanto precisava." (p. 23)

O que me atraiu a pedir esse livro foram duas coisas: a escrita poética e melancólica, misturada com uma aventura no estilo de piratas. Nunca imaginei uma combinação dessas, e essa curiosidade foi que me motivou a conhecer a história, mas infelizmente, não foi tão satisfatório assim.

O livro é misturado entre passado e presente e temos duas histórias entrelaçadas. A primeira é a do próprio Florian, que no presente, nos conta que os fatos contados é sobre o que lhe aconteceu um ano antes, desde que chegou à ilha, até a um acontecimento extraordinário, que o motivou a fazer esse relato. A segunda parte é passado nos anos de 1599, e nos conta a vida do corsário holandês Olivier van Noort, desde o início a sua jornada, até o momento em que chega na ilha por volta de 1600, onde ocorre uma invasão. Essa parte da história são pequenos recortes de um manuscrito escrito pelo própior van Noort e encontrado no mosteiro.

Tudo que conhecemos da histórias e dos acontecimentos que sucedem a chegada de Florian a ilha é contato pelo seu ponto de vista, então tudo é mostrado de uma forma bem pessoal e cheio de percepções do próprio. Florian é um homem que sofreu muito no passado, o que faz se condenar constantemente por qualquer pensamento positivo. Sua melancolia e tristeza é bem sentida por nós, e nos faz perceber o quanto o ser humano é frágil e covarde em certos momentos (e que isso não é algo ruim). Apesar disso me irritar em algumas partes, eu gostei dessa intimidade com o personagem, porque realmente nos sentimos dentro dele, e acabamos por sentirmos uma familiaridade em alguns pensamentos e ações.


"Afinal, o que seria uma gota a mais de culpa nos ombros, para quem já carregava duas cisternas cheias?" (p. 201)

A vida de Florian no mosteiro muda quando ele começa a se relacionar com o professor Rousseau, que está no mosteiro por conta de um estudo e Cecilia, a médica do vilarejo. Rousseau está estudando sobre o misticismo em volta do milagre e chega a ilha por conta de um padre que enfrentou van Noort em sua invasão, e no momento está traduzindo o diário do corsário, afim de obter mais informações sobre o que realmente aconteceu. Depois de um tempo descobrimos o verdadeiro objetivo do professor, que é ir atrás de um tesouro que pode estar escondido na ilha. Eu odiei esse personagem desde que ele apareceu. Rousseau é arrogante, se acha o sabichão e inteligente e a todo momento tenta diminuir Florian intelectualmente. Mas, infelizmente, ele é um personagem importante ao enredo. Cecilia é uma mulher que atravessa a vida de Florian de repente, e ele começa a se sentir atraído por ela, e com o passar do tempo ela acaba se envolvendo nessa jornada em busca do tesouro. No fim, eu acabei achando-a manipuladora e falsa, mas enfim. Mas também temos outros personagens importantes para o enredo e que me cativaram bastante, como o dom Fernando, Viviana e seu irmão Jorge. 



O livro é dividido em três partes e a primeira foi a que mais me trouxe problemas. O que me desanimou com o livro foi o tempo que passei para lê-la. Quase dois meses de luta até enfim terminar a história foi o que me desanimou com tudo. A primeira parte é bem introdutória e a mais pessoal. Conhecemos a rotina de Florian e como ele está se habituando à nova vida ali no mosteiro, além de alguns flashes do seu passado, onde conhecemos mais sobre sua vida na adolescência e ao grande fato que o fez parar no mosteiro. Como disse antes, ele é bem melancólico e isso irritou um pouco. A autodepreciação que ele sentia às vezes me parecia exagerada, o que dava vontade de entrar na história e dar uns tapas na cara dele, fazendo com que acordasse para vida. A segunda parte é quando a vida de Florian dá uma guinada inesperada (ou não tão inesperada assim), que o faz mudar de rumo. A partir desse ponto a história fica mais interessante e mais com o ritmo de aventura, até que chega a terceira e última parte, onde temos a jornada em si. 

No geral, Os Invernos da Ilha é muito bom e vai te fazer refletir bastante sobre a natureza humana, a força da fé e a como podemos seguir nossas vidas depois de algumas tragédias. Essa mistura de melancolia com aventura caiu super bem, graças a escrita do Rodrigo, que é bem rica e detalhada. Adorei as partes do manuscrito de van Noort, pois tive uma outra visão dos corsários, e apesar de tudo, simpatizei muito com Florian e seus sentimentos. A jornada não deixa a desejar, trazendo alguns elementos novos ao desenvolvimento e o fim da história foi bem bacana, adequado a personalidade do protagonista. O que me desanimou mesmo foi o arrastamento na primeira parte do livro (que é mais da metade da história), mas não desistam, o restante vale mesmo a pena. 

Espero que deem uma oportunidade à leitura e que tenham entendido o que eu quis passar. Tenho tido dificuldades em falar como me sinto nas leituras (uma pequena ressaca, talvez?), mas tenho dado ao meu máximo. Mais pra frente pretendo fazer uma releitura, porque sinto que não usufrui da história por inteiro (já se sentiram assim?). Se você já leu esse livro, que é o primeiro do autor, conta aí nos comentários, é sempre bom saber a opinião de vocês. 


Livro recebido de cortesia em parceria com a editora. 


 

Beijos e até a próxima

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15 comentários:

  1. Ahhh! Eu já tinha ouvido falar sobre esse livro, mas parece que ele não se popularizou muito. A capa não é muito instigante, embora o enredo tenha me chamado muito a atenção. Como não li nada que envolvesse aventuras de piratas, acho que esse livro seria ótimo pra começar, principalmente porque traz várias reflexões. Gostei muito de ver essa resenha por aqui.
    Um abraço!

    http://paragrafosetravessoes.blogspot.com.br/

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  2. Oie!
    Já tinha lido algumas resenhas desse livro, a história parece boa, a capa não é msm nenhum pouco chamativa né, mas eu tenho vontade de ler sim...
    imagino sua ressaca...Tbm parei de ler faz 1 mês...Não estou conseguindo me concentrar em nenhuma leitura...Mas espero q passe logo...
    Bjs!

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  3. Oi, Gabriela!!
    Não conhecia esse livro é a história não mexeu comigo não gostei da capa e a sinopse não desperta muito interesse acho então que não conseguiria ler esse livro até o fim.
    Beijoss

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  4. gostei muito da resenha , porem vi que esse livro não é para mim ,pois me parece ser muito melancólico . a questão de ter passado e presente interligados me chama muita a atenção gosto muito de livros assim .gostei que o livro faz com que refletimos sore a natureza humana

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  5. Nossa, acho que essa leitura não é para mim kkkkk Só pela resenha fiquei ''cansada'' da história. Tiveram vários pontos que me fizeram perder o interesse: como a sua experiencia de leitura arrastada (2 meses para ler um livro de 460 páginas. Oi ? kkk), a capa e sinopse, o tipo de escrita poética e melancólica, os personagens e a história em si (quando tem duas linhas do tempo me deixam muito confusa). Eu também estou com ressaca desde julho (ou talvez eu não tenha livros novos que estou afim de ler) e adoro releituras porque percebo coisas que na primeira vez não percebi ou dei importancia

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  6. Também estava me sentindo assim sem entrar nas histórias de verdade, então resolvi ler um livro que desejava muito e pronto, me empolguei novamente! Sobre o livro, não me interessou muito, achei melancólico demais, e como eu disse, acabei de sair de uma maré de livros que não me empolgavam, então tô fugindo disso no momento.

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  7. Oi flor, não entendi o motivo de você ter tido tanta dificuldade em lê-lo, o que foi? Pois na resenha você deixa bem claro que foi um livro muito bom. Talvez o tom melancólico da história tenha lhe deixado bem envolvida e isso pode ter sido o maior fator da demora. Achei a capa muito bonita e fiquei bem interessada pela história, bjs

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    1. A minha maior dificultado foi que na primeira parte da história é focada só no pessoal do personagem. Depois de um tempo, não tinha muitas novidades, então eu desanimada e não queria ler. Só quando novos acontecimentos ocorriam é que eu consegui engrenar na história. Tirando isso, o livro é ótimo! Beijos

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  8. Amo livros que misturam o passado e o presente de uma excelente maneira, os entrelaçando. Queria muito ler esse livro, e é bom que agora sei que o começo é cansativo, assim não abandono o livro logo no início. Já me senti assim, super normal querer reler o livro para entender melhor, espero que na releitura tenha uma melhor experiência.

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  9. Oi Gabriela,
    Estava esperando uma resenha desse livro, pois queria saber alguma opinião desse livro que me chamou muito a atenção quando vi o lançamento. Até gosto de uma escrita poética e melancólica, desde que seja uma leitura fluida, e é bom saber que apenas na primeira parte do livro a leitura é arrastada, assim não corro o risco de desistir quando tiver a oportunidade de ler. Fiquei com má impressão desses personagens secundários e um pouco confusa com a história em si, mas nada que atrapalhe, eu espero.
    Beijos

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  10. É bom saber que só no começo que a leitura é lenta e depois melhora, as vezes acabamos desistindo e perdendo uma boa historia. Que surpresa fiquei quando li que o prof. estava atrás de um tesouro rs.

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  11. Esse livro parece ser muito bom, mas confesso que não tive muito interesse nele. Esse não parece ser o tipo de livro que eu costumo gostar, e também não sou muito fã de livros que misturam passado e presente =/

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  12. Nossa, mas demorou um bocadinho pra ler heim Oo
    Achei o livro até interessante quando vi. O jeito triste dele me animou um pouco. Mas vendo agora deu um medo de sair irritada com tanta melancolia...sei lá.
    Talvez goste, talvez seja bom pra refletir mesmo. Mas ainda estou na dúvida se leio ou não =/

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  13. Eu nunca tinha ouvido falar desse livro, mas fiquei muito interessada nele. Nunca li nenhum livro que tivesse aventura no estilo de piratas, e com certeza isso é o que mais me interessou nesse livro.Só é uma pena que o livro não tenha sido tão satisfatório assim, e que o começo seja bem arrastado. Mas pretendo dar uma chance ao livro mesmo assim :)

    Beijos!

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  14. Olá.
    Talvez um dia até venha a ler, mas só de saber que boa parte da história é muito arrastada, já me desanima. Gosto de leituras mais dinâmicas, que prendem minha atenção a cada capítulo lido. Mas o enredo parece ser bom. Ótima resenha. Obrigada. Beijos.

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