OPINIÃO || PRECISAMOS FALAR SOBRE O KEVIN DE LIONEL SHRIVER

13 de mai de 2016



Precisamos Falar Sobre o Kevin - Lionel Shriver

Páginas: 464
Ano: 2012
Editora: Intrínseca
Encontre aqui: Skoob || Buscapé





Olá, pessoas. Nessa sexta-feira 13 vamos falar um pouco sobre Kevin. Eu ouvi falar desse livro quando ainda estava no Ensino Médio e me interessei de cara: sempre gostei de histórias que tratassem de psicopatas e serial killers. O problema é que esse livro era bem caro e eu não achava ele em nenhuma biblioteca que eu frequentava, então acabou que se passou anos até que eu finalmente conseguisse comprá-lo. Só depois de ler que fui ver o filme, que considero muito bem adaptado.

Lionel Shriver publicou esse livro pela primeira vez em 2003, e uma das coisas que a inspirou foi o massacre de Columbine, em que dois adolescentes mataram 13 pessoas na escola onde estudavam – fora os outros que saíram feridos –, e logo depois cometeram suicídio. Essa tragédia em específico ocorreu em 1999, mas tenho certeza que vocês já ouviram falar de algum massacre escolar mais recente, tanto lá fora quanto aqui no Brasil. O livro, que é em forma epistolar, começa com Eva – mãe de Kevin – mandando cartas para Franklin, seu esposo. O começo é mais focado na relação que os dois tinham para montar um perfil do casal: Eva, uma mulher independente, bem-sucedida, workaholic, que vive viajando e Franklin, um homem patriota, que trabalhava com terrenos e perseguia o sonho americano. Apesar de serem bem diferentes, fica claro que eles se davam muito bem e eram apaixonados um pelo outro. Isso começa a mudar depois que Eva engravida. Apesar de ter sido uma decisão em conjunto, ela percebe que foi uma decisão equivocada e que na verdade ela ainda não estava preparada para ser mãe. Kevin nasce e então vários problemas vão surgindo.

“Acho que o raciocínio emocional, se é que podemos chamá-lo assim, é transitivo: você me deixa mal; estar mal me deixa furioso; portanto, você me deixa furioso.” (p. 55).

Depois que Kevin aparece na história, tudo gira em torno dele e vamos acompanhando uma família disfuncional em que a mãe não consegue criar laços com seu filho, o menino está sempre causando problemas e desafiando a mãe, e o pai sempre passa a mão na cabeça do filho por achar que Eva implica e persegue a criança. A família não se comunica, não dialoga. Eles não conversam sobre os problemas e quando há alguma tentativa, as outras partes se recusam a ouvir. Mas Lionel Shriver não joga a culpa toda para cima da família: Kevin demonstra desde que nasceu que é problemático. E tudo que ele faz, geralmente, é para desestabilizar sua mãe que é única que percebe que Kevin é maldoso e que suas ações são todas calculadas, mas ela também não faz nada para tentar mudar a situação. E não sabemos se teria funcionado mesmo que Eva tivesse tomado alguma atitude.




O bom do livro é isso, ele te faz pensar se tudo isso que aconteceu tem realmente um culpado ou se é só o conjunto de todas as escolhas feitas por todos os personagens que resultaram no massacre final. O filme é uma boa adaptação (como eu já tinha dito antes), e proporciona uma experiência visual bem interessante. As atuações estão fantásticas, e foi esse filme que me apresentou o trabalho do Ezra Miller, que eu acho um dos melhores atores dessa nova geração.

“A verdadeira cultura a gente não observa, incorpora. Eu vivo aqui. E, como não tardaria a descobrir da maneira mais sofrida, não existe uma cláusula opcional de não participação.” (p. 361).


Eu me apaixonei pelo livro desde o início, mas vi muita gente reclamando que achou o começo meio chato. Se você também achar quando for ler, insista. A história vale muito a pena, e os questionamentos que ela propõe também. E se gostar da história, também vá atrás do filme, acho que fica um complemento bom para a experiência da leitura. E se você for meio louca igual a mim, procure por análises tanto do livro quanto do filme na área de psicologia, eu achei muito esclarecedor e me fez perceber alguns detalhes que eu tinha deixado passar despercebido. Espero que gostem e aproveitem bastante a leitura.

Abraços e até a próxima.

18 comentários:

  1. Conheci o livro pelo filme, ataques escolares acontecem bastante no Brasil, principalmente por motivos como o apresentado no livro, uma mãe que não consegue se intimar com seu filho, que acaba criando um psicopata,amei a filme e o livro esta na minha lista a algum tempo
    P.S: Também acho que as pessoas deviam insistir mais em um livro, basta um capítulo chato e já desistem, normalmente o começo é meio conturbado mesmo, mas assim que as peças se juntam tudo começa a se desenrolar

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  2. Andrea, sua crítica do livro ficou ótima. Eu não sabia da existência dele, apesar de ouvir muito sobre o filme. A ideia do autor de trazer para o livro a vida e convivência de um homem que se tornou um tormento sem tamanho para dezenas de pessoas, foi realmente genial. Gosto também do fato das narrativas gerarem em nós uma dúvida que nunca é solucionada, e como neste caso; se a família tivesse tratado Kevin diferente, será que este desastre teria acontecido de qualquer forma?
    Bom, adoro narrativas que sempre tem algo a mais a nos ensinar e desta forma já adicionei Precisamos Falar Sobre o Kevin em minha lista de leituras.
    Bjs!

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  3. Conheci o livro por causa do filme, não assisti o filme porque achei que fosse um mega drama, agora fiquei bnem interessada na história. Assisti Elephant que foi baseado nesse massacre que tu falou e curtir sabe que o livro. Acho que um "perfil" de psicopata é interessante de ler.
    Vou procura assistir o filme primeiro.

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  4. Eu não conhecia o livro e mesmo com sua ótima opinião sobre ele, eu confesso pra você que não me senti instigada para começar essa leitura. A trama até parece ser interessante mas algo nela não me agradou.

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  5. Já conhecia o livro pela capa, mas pesquisei sobre o enredo a pouco tempo. Esse livro chamou minha atenção principalmente pelo assunto que ele aborda, achei bem intrigante. Ainda não assisti o filme, mas pretendo assisti-lo assim que ler o livro. Também adoro o trabalho do Ezra Miller, ouvi muitas pessoas falando que atuação dele em Precisamos Falar Sobre o Kevin foi ótima.

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  6. Olha apesar da sua resenha está incrível a premissa do livro, a história não me atraiu tanto, não faz o meu gênero, acho que sera meio difícil eu ler esse livro, mas irei indicar a uma amiga, ela gosta bastante desta premissa.

    Beijos

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  7. Olá!

    Eu conheci o filme antes. Não sei se o leria, não pela premissa ser ruim, mas por ser forte demais, o Kevin me dá arrepios, medo. Se eu tentar, começarei pelo livro, aí dependendo do resultado da leitura, verei o filme.

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  8. Olá
    Fiquei sabendo do livro assim que saiu o filme e fiquei muito curiosa, só que ainda não consegui ler o livro, acho as questões que o livro propoe é algo que eu também costumo fazer.
    Beijos

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  9. Oiii!!

    Eu particularmente não tenho.vontede de ler esse livro. Mas é pq eu vi o filme é fiquei um mês pensando nele. É pesado e feito para refletirmos sobre a obra. Adorei saber que você gostou e bastante da sua resenha!!

    Beijinhos

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  10. Oiii Andrea, tudo bem?
    Eu apenas assisti ao filme e amei tudo, cada detalhe, não sei o que realmente falar sobre a obra, porque ainda não tive oportunidade para realizar a leitura, mas diante dessa sua opinião, com toda certeza quero ler.
    Beijinhos

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  11. Oi!!
    Eu o filme e desde então fiquei desejando ler esse livro, acredito que ele deva ser mais impactante e profundo que o filme.
    A família toda é desestruturada né, eles precisavam falar sobre o garoto, principalmente ela, imagina ela percebe que tem ações maldosas somente para afrontá-la e não faz nada.
    Uma leitura que faz a gente refletir sobre as ações dos personagens.
    Beijão!

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  12. Olá!!

    Que graça o seu blog!
    Esse livro foi um dos melhores e mais fortes que li e sempre indico.
    Eu como você fiquei presa ao livro desde o início e fui atrás de análises depois. A história realmente mexeu comigo, realmente faz pensar.
    Gostei muito do post.

    bjs
    Fernanda
    http://pacoteliterario.blogspot.com.br/

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  13. Oi
    Tudo bom?
    Já ouvi falar tanto desse livro, mas ainda não li.
    Confesso que ainda não tinha lido uma resenha que me empolgasse tanto a ler ele.
    Agora já está na lista!
    Quero ler logo
    Bjos

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  14. Ooi! Não sou muito de ler livros com uma pegada psicológica, apesar de achar essas ideias interessantes. Nunca tinha ouvido falar, confesso, nem mesmo do filme, o qual o ator eu já conhecia, mas o único filme que assisti com ele foi "Às vantagens de ser invisível" :)
    Parabéns pela resenha e boas leituras!
    Beeijos

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  15. Menina que resenha incrível...eu já li e gostei bastante da obra, assim como a maioria achei o começo cansativo e também pensei em desistir, e sabe de uma coisa...que bom que eu persisti. 'Vamos falar sobre o Kevin' foi uma das minhas melhores leituras do ano passado. Eu achei a história fantástica e em alguns momentos morria de medo e ao mesmo tempo queria enforcar aquele garoto psicopata.

    Abraços

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  16. Olá Andrea!!!
    Li esse livro já faz um bom tempo e foi através de um amigo meu. Achei uma das melhores histórias que já li e achei o enredo muito bem construído, apesar de ainda não ter assistido o filme tenho a curiosidade da adaptação :3
    Parabéns pela resenha e até uma próxima o/

    lereliterario.blogspot.com

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  17. Andrea
    Eu inicialmente fugi do livro e do filme pois o tema me atormenta, mas depois conversei com várias pessoas que falaram muito bem dos dois. Agora lendo sua resenha e relembrando o livro, fiquei curiosa para conhece-lo principalmente questionamentos que ela propõe.
    Abraços,
    Gisela
    Ler para Divertir
    Participe do Sorteio dos 3 livros da Trilogia FUNÇÃO CEO de Tatiana Amaral

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  18. Eu acho que não leria esse livro, acho que seria meio cansativo. Mas acho que veria a adaptação.

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Espero que tenha curtido a postagem! Volte mais vezes :D